Como você costuma começar suas orações? Para a maioria de nós, o ponto de partida é a urgência. Entramos na presença de Deus com uma lista de pedidos urgentes, pressionados por crises financeiras, dores emocionais ou ansiedades do dia a dia. Mas o que acontece quando olhamos para a forma como os apóstolos oravam?
Em Efésios 3, o apóstolo Paulo nos abre uma janela para a sua vida secreta com Deus. Ele não começa com exigências nem com um relatório de suas necessidades pessoais. Ele começa dobrando os joelhos diante do Pai.
O grito de um homem acorrentado
Para entender o impacto de Efésios 3:14-15, precisamos olhar para onde Paulo estava ao escrever estas palavras. Ele não escrevia do conforto de um gabinete de estudos, mas da prisão em Roma. Correntes prendiam seus pulsos, e um soldado romano vigiava cada um de seus movimentos. Diante de tal cenário, qual seria o seu primeiro pedido?

Muitos de nós orariam pedindo libertação física, justiça ou o fim daquele sofrimento. No entanto, o coração de Paulo batia por algo muito maior. Quando ele escreve “Por esta causa” no versículo 14, ele retoma o pensamento iniciado no começo do capítulo. Ele havia acabado de contemplar o glorioso plano de Deus de unir judeus e gentios em um só corpo por meio de Cristo.
A igreja na cidade de Éfeso vivia em um contexto espiritual desafiador. Éfeso era o centro do culto à deusa Ártemis e um polo de práticas de ocultismo. Os cristãos daquela cidade sabiam o que era o poder das trevas, pois muitos haviam queimado seus livros de magia ao se converterem, como vemos em Atos 19. Paulo, portanto, ora para que eles conheçam o verdadeiro poder, que não vem de encantamentos, mas do Deus vivo.
A postura da entrega: por que se ajoelhar?
No mundo judaico da época, a postura mais comum para a oração era ficar em pé, com as mãos estendidas para o céu. Vemos essa prática registrada em diversas passagens dos Evangelhos, como na parábola do fariseu e do publicano. Por que, então, Paulo faz questão de registrar que se põe de joelhos?

Na Bíblia, o ato de ajoelhar-se está associado a momentos de intensa emoção, profunda reverência e entrega absoluta. Jesus se ajoelhou no Getsêmani quando enfrentava a agonia antes da cruz (Lucas 22:41). Estêvão se ajoelhou enquanto era apedrejado, entregando seu espírito e perdoando seus agressores (Atos 7:60). Dobrar os joelhos é uma declaração do corpo de que o orgulho foi quebrantado.
Não se trata de uma regra legalista, como se Deus só ouvisse quem está fisicamente de joelhos. O que importa é a atitude do coração. Porém, a postura física muitas vezes ajuda a alinhar a nossa alma. Quando nos ajoelhamos, reconhecemos nossa pequenez diante da majestade de Deus e declaramos que Ele é o Senhor e nós somos Seus servos.
Patēr e patria: a Paternidade que dá nome a tudo
Paulo faz um jogo de palavras profundo no texto original em grego. Ele se ajoelha diante do Pai (patēr), de quem toma o nome toda família (patria) tanto no céu como sobre a terra. Em outras palavras, Deus não é chamado de Pai porque se parece com os pais humanos; é a paternidade humana que é apenas um reflexo pálido e imperfeito da Paternidade divina.

Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra,
Efésios 3:14-15
Deus é a origem e a fonte de todo verdadeiro pertencimento. Ele é o Criador de todas as coisas e o Pai redentor daqueles que foram adotados em Cristo Jesus. Quando nos aproximamos dEle, não estamos diante de um juiz distante ou de um tirano imprevisível. Estamos diante do nosso Pai celestial.
Pense na diferença que isso faz na sua rotina de oração. Um filho que entra no escritório do pai não precisa marcar hora ou preencher formulários. Ele entra com confiança porque sabe a quem pertence. A oração genuína nasce dessa certeza de filiação e acolhimento.
Mude o ponto de partida das suas orações
Mas o que isso significa na prática para a sua vida diária? Significa que precisamos reordenar as prioridades de nossa mente ao orar. Se a sua oração começa e termina nas suas necessidades, ela continuará sendo rasa e cansativa.
Quando você muda o ponto de partida e começa contemplando quem Deus é, as suas petições ganham a perspectiva correta. As grandes montanhas de problemas parecem bem menores quando você se lembra de que está falando com o Pai de quem toda a criação recebe o nome.
Experimente mudar a sua abordagem hoje mesmo. Em vez de abrir a sua lista de pedidos imediatamente, gaste os primeiros minutos apenas reconhecendo a grandeza, a santidade e a paternidade de Deus. Adore-o por quem Ele é, antes de pedir o que Ele pode fazer.
Um convite para dobrar os joelhos hoje
Se você deseja sair de uma fé teórica e entrar em um relacionamento de profunda intimidade com Deus, o caminho começa na humildade. Que tal interromper a correria do seu dia agora mesmo e dobrar os seus joelhos diante do Pai?
Ajoelhe-se fisicamente, se puder, ou curve seu coração em reverência. Reconheça que Ele é o Senhor da sua vida e a fonte de todo o seu pertencimento. Diga a Ele com sinceridade: “Pai, eu pertenço a Ti. Tu és o meu Senhor.”
No próximo artigo desta série, veremos o que acontece quando nos colocamos nessa postura de rendição. Descobriremos como o Espírito Santo atua para nos fortalecer no homem interior e transformar o nosso caráter de dentro para fora.